La La Land: o poder das escolhas e a luta pelos sonhos



É o filme de que se fala. La La Land lidera os Óscares com 14 nomeações e, por essa, razão não deixa quase ninguém indiferente. A curiosidade para ver este musical, que deslumbrou a Academia, é imensa. Depois de visto, as opiniões variam. Há quem ame, há quem odeie.

E novidades? As artes são assim mesmo… Subjetivas. A beleza fica ao critério da sensibilidade e do gosto de quem as contempla.
Por isso, se querem mesmo formar uma opinião… Vão ter mesmo de ver o filme.
Para quem não gosta de musicais e põe logo de parte a possibilidade, podem sempre dar uma trégua, deixar o estigma de parte e dar uma oportunidade ao filme. 
Fui assistir ao musical com alguma curiosidade, dadas as nomeações, mas sem tentar criar grandes expetativas (para depois não ter aquela desilusão de não corresponder de todo ao que esperava).
Não vou entrar em pormenores para não correr o risco de vestir esse papel de spoiler, mas não vou cometer inconfidência nenhuma se disser que envolve cantoria, dança (muito sapateado) e que é um romance.


O amor sai por cada poro deste filme. Algo que também pode afastar os menos adeptos de filmes românticos.
Adianto-vos já que o filme é do mais lamechas, “piroso”, cor-de-rosa que há. Mas também é isso que o deixa tão perto daquilo que é utópico, imaginário. É isso que o faz apelar tanto aos sonhos. É a personificação de um conto de fadas (que pode ou não ter um final feliz).
As declarações de amor, as discussões,… muitas das falas são cantadas. E a cumplicidade é dançada. Mas a semiótica do filme é fantástica. Cada gesto é pensado ao pormenor… Pode parecer banal, mas é fácil catapultarmo-nos para aquela história e, de repente, sermos a Mia (Emma Stone) ou o Sebastian (Ryan Gosling) e vivermos em Los Angeles, «cidade que tudo adora e nada valoriza».
Ela é doce e singela (parece-me que escolheram a atriz ideal para este papel), ele é o típico “príncipe”, esbanja charme, tem o timing perfeito para a comédia; é algo destrambelhado, mas delicado ao mesmo tempo.
O filme é uma verdadeira ode aos clássicos do cinema (os amantes da 7.ª Arte vão com certeza identificar cada pormenor). A banda sonora é magnífica. A fotografia é fantástica. A reta final do filme é tipo o "clímax"... Arrebatadora!
Mas mais do que tudo isso, penso que o grande trunfo deste filme é a mensagem que passa. Pelo menos para mim.


É um filme que fala de escolhas. Quantas vezes não somos obrigados a fazer uma? E quantas vezes não pensamos em como teria sido se a opção tivesse sido a que deixamos de parte? Essa incógnita permanente de não saber qual delas nos vais conduzir à felicidade está bem patente neste filme.
Para quem é uma sonhadora a tempo inteiro, senti mesmo que aquele filme estava a falar para mim. De repente, percebi que o filme não era para os românticos, mas para os sonhadores.
Todos temos sonhos e metas que desejamos alcançar. Muitos conseguem… outros ficam a meio do caminho. O caminho é pintado de curvas e contracurvas e com mais pedras dos que atalhos. Choramos. Revoltamo-nos. A tendência é para desistir, baixar os braços e deixar de “dançar”.


Mia e Sebastian dançam rumo aos seus sonhos e inspiram-nos a fazer o mesmo para que, um dia, tal como eles, possamos dançar entre as estrelas. Aquelas que sempre nos habituamos a contemplar e a admirar. O filme deixou-me a pensar… e a suspirar.
Apesar de tudo, não é o típico filme que me desperta aquela certeza espontânea de dizer: «O Óscar de melhor filme deve ir para La La Land!». Ainda assim, é um filme que nos faz sonhar e voar para a inocência de outros tempos. Gostei e pode bem ser um justo vencedor noutras categorias.
E vocês, o que acharam do filme?

«La La Land é um filme sobre o abismo entre o sonho e a realidade, sobre a impossibilidade de reconciliar o artifício e a sinceridade, mas com a necessidade quimérica de o tentar e, talvez, de o conseguir.» (in Público)

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